Dom Inácio

Professor descobre o "poeta de Cristo" na Escolinha da Fundação

17/06/2010 - Carlos Alberto - Assessor de Imprensa - assessoriaimprensa@unifeg.edu.br

O professor Antônio Carlos e o estudante poeta, Antônio Mauro

O professor Antônio Carlos Cerdeira, da área de Língua Portuguesa na Unidade II do Colégio Dom Inácio, descobriu um "poeta de Cristo" dentro da entidade. Admirado pela conduta exemplar para com seus colegas e os educadores da também chamada Escolinha da Fundação, o jovem Antônio Mauro Silva é motivo de orgulho em função dos poemas que escreve. Aos 20 anos, ele cursa o 2º colegial da instituição mantida pela Fundação Educacional Guaxupé e se destaca pelo modo visionário dispensado às letras.

Antônio é uma espécie de autodidata. Isto, ainda que pertença a uma escola que oferece assistências educacional, social e psicológica a seus assistidos. "Quando eu era mais novo, meu avô me apresentou trabalhos do padre Léo, já falecido. Desde então, passei a admirar palestras e explanações dele, tendo partido daí minhas inspirações. Na verdade, creio que a gente não cria nada, mas copia. Por exemplo, quando escrevo sobre uma flor ou um mendigo caído ao chão, o que faço é copiar aquela cena, pois o verdadeiro poema, seja ele triste ou alegre, é a situação por si própria", filosofa o rapaz.

Além do religioso, Antônio também busca inspiração nas obras do poeta e escritor Carlos Drummond de Andrade. "Ele é muito importante para mim, pois seu modo de escrever sempre me fascinou. O Drummond conseguia, de uma forma só dele, escrever sobre algo sem sequer citar a palavra chave a qual se referia em seus textos. E isto somente acontece com poucas pessoas dedicadas à Literatura", argumenta o jovem.

O aluno Antônio Mauro conversa com seu professor, Antônio Carlos, na Escolinha da Fundação

Membro de família humilde, Antônio se sente no dever de auxiliar ao próximo por meio de seus poemas. "Fico feliz quando as pessoas leem o que eu escrevo e isto lhes abala de alguma forma. Os textos precisam ser contidos de mensagens que auxiliem as pessoas. Para tanto, os leitores precisam ser críticos, creio eu, pois podemos ver Cristo até disfarçado de mendigo, se formos aguçados. Se for escrever por escrever, não valerá a pena. O bom é produzir algo que toque a quem esteja lendo", relata Antônio.

Por outro lado, o estudante da Unidade II do D. Inácio sente-se triste com determinadas situações, as quais também lhe servem como inspiração para os textos. "Fico triste por ver pessoas jogando suas vidas fora por tão pouco. Hoje, há muita gente que não dá valor ao que é preciso, como a família. A gente percebe tantos jovens se estragando com as drogas, se seduzindo, por exemplo, com coisas ilusórias... agora, por exemplo, enquanto estamos conversando, alguém morre num lugar qualquer por não ter dado o real valor à vida", lamenta o estudante.

Consciente, Antônio reconhece o valor da instituição educacional que frequenta. No local, o jovem procura se esforçar, a fim de absorver os conhecimentos que lhe são transmitidos. Embora jamais tenha recebido aulas específicas sobre métodos ou técnicas para escrever poemas, contos e crônicas, Antônio afirma espelhar-se em pessoas que, para ele, são verdadeiros ídolos. "Agradeço primeiro a Jesus Cristo e depois os servos que ele tem colocado no meu caminho, como o padre Léo, o professor Antônio Carlos, Ana Lúcia e Eloisa", homenageia ele.

Visivelmente cheio de fé, Antônio compara os amigos a quem demonstra gratidão como santos. "São santos em minha vida, pois o santo não é aquele que consegue enxergar no escuro, mas aquele que vê através dele. Então, obrigado a todos, por serem santos em minha vida", finalizou o jovem estudante, que enalteceu, ainda, a importância da Escolinha da Fundação em sua trajetória rumo a um futuro melhor.

Ao mestre, com carinho
As palavras de Antônio Mauro foram recebidas com emoção pelo professor Antônio Carlos, que o considera uma verdadeira revelação literária. "Temos de dar incentivos às pessoas como ele, pois é assim que construímos um mundo melhor. O Antônio teceu estes elogios a minha pessoa, mas os méritos são todos dele, que consegue ver o mundo com sensibilidade e transmite isto através de poemas. Nós, professores, é quem devemos agradecer por tê-lo conosco, pois é muito prazeroso dar aula a quem realmente está a fim de aprender. A escola, aliás, não é apenas para ensinar a ler, escrever, fazer contas e tal. Na minha opinião, é dever de todas as instituições dar asas e proporcionar recursos aos alunos que buscam a evolução por meio do conhecimento", destacou o professor Antônio Carlos.

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